O SORRISO
Nada, hoje
mas antes tão tudo.
Apenas o sorriso.
"e é tão tanto"
tudo.
Como se fosse futuro
pensar após a vida
após luz.
Sair do consolo do fluir do tempo
ficar na luz
no limbo
ficar
amar.
Os caminhos, depois, foram múltiplos.
O mundo abriu-se.
" Montes, e a paz que há neles, pois são longe...
Paisagens, isto é, ninguém...
Tenho a alma feita para ser de um monge
Mas não me sinto bem.
Se eu fosse outro, fora outro. Assim
Aceito o que me dão,
Como quem espreita para um jardim
Onde os outros estão.
Que outros? Não sei. Há no sossego incerto
Uma paz que não há,
E eu fito sem o ler o livro aberto
Que nunca mo dirá"
Fernando Pessoa. Obra Poética. Vol. I. Círculo de Leitores. 1985. P: 257.
Foi dali que o mundo veio, todo, sem aviso, misterioso.
Foi dali que parti para outros mundos, sempre novos, sempre desconhecidos.
É ali que estão as noites frias, as névoas matinais e as tardes ardentes.
É ali que permanecem os dois.
Quino. O Mundo de Mafalda. As Tiras, os Inéditos, os Testemunhos. Bertrand Editora. 2003. P: 158.
E é nesta cidade que me "sento" enquanto aprendo, e sinto, o "sentar" ... Apercebo-me da vida e do mundo. Apercebo-me até da ausência de deus, de um qualquer deus. Tacteio em busca do que serei capaz.
Chaves.
A perda da infância e da liberdade ingénua das crianças. Mas ainda assim, a perda.
Cidade ampla, de novas amizades, de frio, de água...
Cidade de transição.
" Understanding is always a journey, never a destination"
Richard Fortey. The Earth, An Intimate History. Harper Perennial. 2005. P: 25
" O esforço e o voo
A ciência parte sempre do princípio de que tem
o mapa certo. E, assim, acredita que é só procurar.
Julga que lhe basta o esforço, o suor.
(E, afinal, muitas vezes não deve escavar, mas
voar— algo que lhe é fisicamente impossível)".
Gonçalo M. Tavares. Breves Notas Sobre Ciência. Relógio D'Água. 2006. P: 111
A chuva regressa, circularmente, insistentemente. Mas não demora.
Caminhamos. Agora com mais olhares também cheios de memórias... partilhadas.
Tarefa sempre inacabada. Passos sentidos no presente com sentido no passado.
Demoramo-nos nas emoções.