"Deus condenou Adão não bem à infelicidade,
mas a uma felicidade que fosse o seu impossível."
Vergílio Ferreira. "Pensar". 1992. Bertrand. P:24.
E esta busca pela utopia tem muito que ver com a ciclicidade da vida, o "mito do eterno retorno", o recomeço.
É que há uma idade que apascenta a memória. Há um momento de ansiedade para a recordação.
Chegou esse momento!
Voltar ao passado. Rever imagens.
Querer senti-lo como verdadeiramente vivido, ou apenas emoção da memória, o que significa emoção da emoção.
"Mesmo quando um estímulo emotivo é recuperado pela memória,
ao invés de estar realmente presente na perceção, ele produz
emoções abundantes. A chave é a presença de uma imagem."
António Damásio. "A Estranha Ordem das Coisas". 2017. Temas e Debates. P.161.
E, deste modo, a ideia de um projeto surgiu. Foi só "conversar "com Duarte Belo, através da sua corajosa aventura, colocado em livro —"Caminhar Oblíquo". 2020. Museu da Paisagem— para perceber que tinha de voltar à estrada.
Por isso, sigo os meus passos. Caminho. Vou primeiro ao encontro da minha infância. Depois, à juventude e finalmente à idade adulta.
Percorrer as estradas nacionais a pé, que tantas vezes fiz de automóvel, muitas delas abandonadas ou remodeladas actualmente.
Procurar a casa onde nasci e depois buscar os cheiros, os sabores e os tactos, da infância .
Depois em busca da juventude, numa raia fria mas intensa, noutra terra, mas sempre no norte de Portugal.
Para terminar na idade adulta, aqui, no conforto do lar, já com a memória a pulular de imagens.
Há mais de 57 anos nascia nesta rua.
A rua onde vivo.
Por isso, a divisão em três etapas, realizadas em tempos diferentes.
A primeira etapa: de Godim a Torre de Moncorvo - Outubro de 2021
A segunda, de Torre de Moncorvo a Chaves, em Novembro de 2022
A terceira, ainda a realizar, de Chaves a Vila Real.
A quarta e última etapa, fechando o ciclo e o círculo, de Vila Real a Godim, Outubro de 2021.
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